quinta-feira, 10 de junho de 2010

Fluminense, Botafogo, Atlético-MG e Vasco: os campeões em dívidas

O governo federal é credor de mais da metade das dívidas dos clubes de futebol do Brasil — e o valor só vem crescendo. Essa é uma das conclusões de um estudo feito pela empresa de auditoria Casual Auditores e apresentado nesta terça-feira (09) em São Paulo. O estudo foi desenvolvido apoiando-se na análise das demonstrações financeiras dos clubes nos últimos quatro anos.

De acordo com a Casual — que é especializada em times de futebol e parceira da inglesa Parker Randall, um dos maiores escritórios de contabilidade do mundo —, a dívida dos clubes do Brasil ultrapassou R$ 2,4 bilhões em 2009. Dois times cariocas lideram o ranking dos endividados. No ano passado, o clube com a maior dívida era o Fluminense, com R$ 319,7 milhões (R$ 162,2 milhões referentes à dívida fiscal), seguido pelo Botafogo, com R$ 301 milhões (dívida fiscal de R$ 152,7 milhões).

A lista dos maiores devedores (incluindo dívidas de todas as naturezas) segue com o Atlético-MG (R$ 293,4 milhões), Vasco da Gama (R$ 291 milhões), Flamengo (R$ 277,8 milhões), Santos (R$ 153,5 milhões), Inter-RS (R$ 142,9 milhões), Corinthians (R$ 128,6 milhões), Grêmio (R$ 126 milhões), São Paulo (R$ 114,1 milhões), Palmeiras (R$ 102,6 milhões), Cruzeiro (R$ 92,7 milhões), Coritiba (R$ 50,4 milhões) e Atlético (R$ 20,1 milhões).

Em 2006, a dívida global dos clubes estava em R$ 1,3 bilhão — sendo 52% de dívida fiscal, 25% cível e trabalhista , além de 23% de empréstimos. No ano passado, a dívida fiscal já representava 57% do total (cerca de R$ 1,3 bilhão), seguida pelos empréstimos (23%) e pelas dívidas de natureza cível e trabalhista (19%).

“O aumento se deve porque a principal dívida dos clubes é a fiscal, com o governo. São os impostos atrasados. O governo até criou uma loteria, a Timemania, que viria a angariar parte da receita da loteria para abater essas dívidas. Mas o fato é que a loteria não vingou porque as receitas não são grandes, o clube parcelou 100% de suas dívidas nessa Timemania — em 240 parcelas — e agora tem de honrá-las”, explicou Carlos Aragaki, um dos responsáveis pela estudo.

“Como o clube não paga, sob os passivos de impostos incidem uma variação da taxa Selic [taxa básica de juros do governo federal], que é alta, e mais uma multa. Então, a tendência é que os passivos continuem aumentando”, agrega Aragaki. “Ou os clubes negociam com o governo uma solução, ou continuarão nesse passo, empurrando com a barriga — e, enquanto isso, os números do balanço vão sempre aumentando.”

Arrecadação maior

As dívidas aumentaram, mas os clubes também arrecadaram mais. Houve um aumento de 14,7% nas receitas entre 2008 e 2009, quando os clubes passaram a arrecadar R$ 1,4 bilhão. O clube que teve a maior receita total no ano passado foi o Corinthians (R$ 181,5 milhões), seguido por Internacional (R$ 176,2 milhões) e São Paulo (R$ 174,8 milhões).

Do total de receitas, 27% correspondem a cotas de televisão e outros 21% à transferência de atletas. A bilheteria respondeu por 12% do total das receitas e os patrocínios e publicidades, 16%. “Pela primeira vez, a cota de TV ultrapassou a receita da venda de atletas. Não significa dizer que a venda de atletas não voltará a ser, nos próximos anos, a principal fonte de receitas, já que a crise na Europa pode ter afetado as finanças de cada clube”, finaliza Aragaki.

terça-feira, 8 de junho de 2010

LULA NA CONFERENCIA NACIONAL DO ESPORTE

Ouvindo a sociedade a gente erra menos


Presidente Lula discursa na III Conferência Nacional do Esporte, realizada em Brasília. Foto: Ricardo Stuckert/PR

A realização de mais uma conferência nacional, dessa vez do esporte, é uma demonstração humilde de um governo que “pensa que ouvindo a sociedade a gente tem a chance de errar menos”, afirmou o presidente Lula durante a III Conferência Nacional do Esporte, realizada nesta sexta-feira (4/6) em Brasília. Lula lembrou que esta é a 68ª conferência realizada em seu governo e que elas são importantes por externar a diversidade do País em relação aos temas propostos por esses encontros. “Vocês vieram aqui para falar e a gente veio aqui para ouvir”, afirmou o presidente, lembrando que muitas das propostas dessas conferências acabam ajudando ao governo a montar políticas públicas.

Lula reafirmou que as Olimpíadas servirão como uma prova de fogo para o País:

As Olimpíadas estão servindo para nós como se fosse uma prova de fogo, porque quando chegar nas Olimpíadas, não tem como esconder, a nossa cara vai aparecer do jeito que nós somos. Se trabalharmos corretamente, vamos sair na foto com a cara bonita. Se ficarmos esperando que a natureza dê conta das coisas, vamos sair com a cara feia.

Uma das prioridades, frisou, é convencer os quase seis mil prefeitos do País de que o esporte é importante para a juventude brasileira e que fica mais barato investir em melhores escolas, que ofereçam oportunidades esportivas aos jovens, e também na contratação de professores de educação física, do que construir cadeias. “É um trabalho sério que vamos ter que fazer daqui pra frente com os quase seis mil prefeitos deste País”, afirmou Lula.

Ouça aqui a íntegra do discurso:

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Lula citou os importantes investimentos que o País vem fazendo no esporte brasileiro, não só por conta dos Jogos Olímpicos que o Rio de Janeiro sediará em 2016, mas também porque é uma determinação da Constituição – conforme está no artigo 217, lembrou o presidente, que define o esporte como direito social e determina que cabe ao Estado oferecê-lo como política pública.

“Portanto não estamos fazendo nenhum favor, apenas cumprindo um preceito constitucional.”

O presidente cobrou ainda que as federações esportivas do País apresentem às autoridades olímpicas um plano de metas, até 2014, porque são essas metas que vão orientar as verbas do governo a serem repassadas às federações. “Todo o dinheiro que a gente tiver que colocar tem que ter base em um programa a ser perseguido por eles e fiscalizados por todos nós, senão não vamos atingir nossos objetivos”, disse.
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sábado, 6 de fevereiro de 2010

Gestores municipais e estaduais começam mobilização para III CNE

Os gestores municipais já começaram a mobilização para realizar etapas municipais e ou regionais da III Conferência Nacional do Esporte (CNE). As etapas municipais e ou regionais podem ser convocadas por gestores municipais, e gestores estaduais também podem convocar etapas regionais da III CNE. A terceira edição da conferência propõe a construção de um Plano Decenal de Esporte e Lazer, discutindo um conjunto de 10 linhas estratégicas que nortearão as discussões nos estados e municípios, contribuindo com a elaboração desse Plano.

As etapas municipais/regionais da Conferência devem ser realizadas em conformidade com o regulamento da etapa estadual, norteando a definição de pontos como o calendário e o número de delegados eleitos nessas etapas. As conferências municipais ou regionais são realizadas no âmbito de cada município, ou de forma regional com o agrupamento de mais de um município. O município que decidir por realizar etapa municipal, não poderá participar de uma etapa regional e poderá eleger seus delegados isoladamente.

Prazo- O prazo para convocação das etapas municipais e ou regionais encerra no dia 11 de março. Caso o poder público não convoque essa etapa até essa data, a sociedade civil poderá convocar a etapa, apresentando essa proposta à comissão Organizadora Nacional e constituindo uma comissão organizadora local para coordenar o processo. O prazo de realização das etapas municipais e regionais encerra no dia 11 de abril.

Como realizar uma etapa municipal- Para que o poder público convoque uma etapa municipal da III Conferência Nacional do Esporte primeiro é preciso acessar o site da conferência; www.esporte.gov.br/conferencianacional. O passo inicial é cadastrar a Comissão Organizadora Municipal, item localizado na barra de menus no lado esquerdo do site. Após cadastrar essa Comissão, o responsável pela etapa deve ir até o item “Início”, no menu esquerdo do site, entrando no link “Cadastre-se”. Escolha a opção pessoa jurídica e selecione a etapa municipal. A partir daí basta preencher as informações solicitadas e finalizar o cadastro. Depois do cadastro da etapa, as informações serão analisadas e validadas pela comissão executiva da III Conferência. O responsável pelo cadastro da etapa receberá um e-mail confirmando o recebimento dos dados e informando um login e uma senha que devem ser utilizados para inserir as informações sobre a realização da etapa.

Relatório: Após a realização de cada etapa, é dado um prazo de sete dias para que os responsáveis enviem o relatório da conferência. O modelo desse relatório também está disponível no site da conferência no item “Cadastro de Relatórios”.

Para que a participação popular seja garantida a Comissão Organizadora Nacional (CON) da III Conferência, lembra a importância da pluralidade de representações nessas etapas. O regulamento nacional recomenda a participação de gestores públicos, parlamentares, organizações não – governamentais, movimentos sociais, entidades profissionais, estudantes, trabalhadores e empresários da área do esporte, além de clubes esportivos sociais.

Municípios já podem convocar etapas Livres e Preparatórias da III CNE

Os gestores municípais de todo Brasil já podem participar das atividades da III Conferência Nacional do Esporte, realizando etapas Preparatórias e Livres.

As Preparatórias são etapas organizadas pelo poder público e/ou representações da sociedade civil. Não são eletivas, mas podem contribuir com proposições às Conferências dos seus respectivos municípios e estados. O prazo para realização dessas etapas encerra no dia 11 de abril.

As etapas Livres possibilitam a ampliação do espaço de debate, estimulando a participação de segmentos que na maioria das vezes não participam de processos de conferência. A característica das etapas Livres permite que sua realização seja proposta por qualquer segmento da sociedade civil ou do poder público, tendo que reunir no mínimo 10 participantes para ser validada. Também não elegem delegados, mas suas propostas podem ser enviadas diretamente para etapa nacional para compor o caderno de resolução, qualificando o debate nessa etapa e contribuindo com o documento final de III Conferência. O prazo para convocação e realização das conferências Livres encerra no dia 5 de maio.

As alterações na data de realização de uma etapa já cadastrada e validada só serão permitidas com cinco dias de antecedência e por meio da área restrita do site.

Como realizar etapas preparatórias e livres: Para realizar uma etapa nessas duas categorias é necessário acessar o site da III conferência nacional do esporte: www.esporte.gov.br/conferencianacional, acessar o link “Início” e ir até a opção Cadastre-se, no canto direito da tela. Depois basta clicar na opção pessoa Física e selecionar o tipo de etapa que será cadastrada, preenchendo todos os dados solicitados. Após o cadastro e envio desses dados, a comissão executiva da III Conferência irá analisar e validar a etapa cadastrada. O responsável receberá por e-mail uma confirmação da validação da etapa, bem como uma senha e um login para que ele utilize a área restrita do site da Conferência e possa inserir e atualizar os dados referentes à sua etapa.

Relatórios: É importante ressaltar que após a realização de cada etapa é estipulado um prazo de sete dias para o cadastro do relatório da etapa com o registro das informações que serão enviadas para o documento final da conferência. O modelo desse relatório também está disponível na barra de menus do site da conferência, no item Cadastro de relatórios. Mais informações no site www.esporte.gov.br/conferencianacional

Para PT e PCdoB José Alencar unifica a centro-esquerda em Minas




Partindo do pressuposto de que a candidatura do vice-presidente José Alencar (PRB) ao governo de Minas é a única capaz de unificar a base do campo centro-esquerda, a presidente do PCdoB/MG, deputada federal Jô Moraes, e o presidente do PT/MG, deputado federal Reginaldo Lopes deflagraram hoje (5) as conversações com vista à aliança nas eleições majoritária e proporcional de outubro próximo.

Pedro Leão

José Alencar é consenso para presidentes do PT, Reginaldo Lopes, e do PCdoB, Jô Moraes
Num encontro na sede do PCdoB, no bairro Floresta, reunindo as comissões políticas das duas legendas os dirigentes ressaltaram as qualidades de Alencar: “Tem profundo conhecimento e identidade com o Estado e sua população, uma preocupação muito grande com o desenvolvimento e crescimento econômico. Além de ser uma figura íntegra, leal e respeitosa, inclusive com os que fazem oposição ao seu projeto”, resumiu Jô Moraes, uma das mentoras da proposta da candidatura de José Alencar, até mesmo para pacificar o campo da base do presidente Lula em Minas.

Embora tivesse intenção de aceitar disputar o Senado, o vice-presidente acenou com a possibilidade de concorrer ao Governo do Estado, sempre dentro da perspectiva de consenso, sem ter de disputar espaço. E os dois outros pré-candidatos do PT ao Palácio da Liberdade, o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, e o ex-prefeito de BH, Fernando Pimentel, também não fazem objeção de abrir mão para Alencar. Pelo menos foi esta a primeira sinalização de ambos.

Plebiscitária

“Acredito que o Alencar será o candidato”, afirmou Reginaldo Lopes, alertando para o fato de o vice-presidente ter filiação honorária no PT. “Portanto tem ainda este simbolismo, é também um candidato do partido”. Caso essa proposta não vingue a alternativa do campo de centro-esquerda deverá ser a de ter dois palanques. Esta é a tese defendida por Reginaldo Lopes com o propósito de “evitar o caráter plebiscitário da candidatura apoiada pelo governador Aécio Neves”. Além de Patrus ou Pimentel a outra candidatura da base de centro-esquerda deverá ser a do ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB).

No encontro Jô Moraes propôs a realização de um seminário conjunto para discutir um projeto para Minas Gerais. Uma das preocupações elencadas pelo vice-presidente José Alencar durante encontro com a direção nacional do PCdoB, no Palácio do Jaburu, na última quinta-feira (4) e no qual Jô esteve presente, foi com os rumos econômicos do Estado. “Ele alertou que Minas é maior do que a mineralogia. Que precisamos alterar esse perfil de exportador de commodities e agregar valor aos produtos de exportação. Ele também está preocupado com os rumos da política econômica nacional, com os juros altos”, disse a deputada.

O deputado estadual Carlin Moura relatou os dois encontros que teve com o vice-presidente José Alencar quinta-feira (04) em Brasília, “tanto na reunião de deputados e dirigentes do PT e do PCdoB ontem pela manhã, quanto no encontro com a direção nacional do PCdoB, Alencar demonstrou disposição em concorrer ao governo do estado, desde que tenha condições de saúde e que seja um nome de consenso da base aliada do governo Lula em Minas”.
Participaram ainda do encontro na sede do PCdoB o deputado federal Miguel Corrêa Júnior (PT), a vereadora Maria Lúcia Scarpelli (PCdoB) e a presidente do PCdoB municipal, Dalva Stela, entre outros dirigentes.

Alencar diz que pode ser candidato ao governo de Minas




Começam a ganhar corpo as articulações em torno da pré-candidatura de José Alencar ao governo de Minas. Na quinta-feira, o vice-presidente admitiu que pode disputar o cargo desde que haja consenso da base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em torno de seu nome. Também condicionou sua candidatura ao resultado de exames médicos que deverão sair em março, mas adiantou que seu estado de saúde é excelente e que o câncer que ele enfrenta há mais de uma década regrediu 90%.

Vice-presidencia

Dep. Carlin Moura, Renato, Alencar, Jô e Wadson Ribeiro
Segundo relataram representantes do PT e do PCdoB que estiveram quinta-feira em Brasília com Alencar, a única exigência feita por ele é que haja um “palanque limpo”. “Por limpo ele entende um palanque sem divergência com a base aliada”, contou o deputado estadual Carlin Moura (PCdoB), que se encontrou duas vezes com o vice-presidente na quinta-feira. Pela manhã ele esteve com Alencar ao lado de representantes do PT e à tarde acompanhou a direção nacional da legenda em outra audiência com o vice-presidente.

“Ele nos contou inclusive que a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) já manifestou apreço pela sua candidatura, até porque seria a única maneira de unir a base aliada de Lula no estado”, comentou Moura. Dilma, que é pré-candidata do PT à Presidência da República, tem interesse em ter um palanque forte em Minas, segundo maior colégio eleitoral. O ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, e o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, travam uma disputa ferrenha no PT mineiro para concorrer à sucessão do governador Aécio Neves (PSDB).

Segunda-feira a ministra estará em Belo Horizonte para participar da entrega do título de militante honorário do PT ao vice-presidente. O deputado estadual Padre João (PT), que também participou da audiência com Alencar, disse que durante o encontro o vice-presidente ligou para a ministra e combinou de agendar um encontro para tratar da sucessão em Minas Gerais. “Saímos desse audiência muito animados. Já tínhamos a clareza de que a solução para um palanque unificado e forte em Minas passa pelo vice-presidente e com essa conversa ficamos mais animados pois ele mostrou convicção e prontidão para disputar o cargo de governador”, comentou Padre João. O grupo que esteve com Alencar defende a indicação de Patrus para vice-governador, caso a candidatura do vice-presidente seja viabilizada.